Lula e a metamorfose do Sapo Barbudo em Jararaca


Em 1989 Leonel Brizola dirige-se ao ex-presidente Lula como “sapo barbudo” e, ainda num dos debates para a presidência, alerta: “o PT está contra parede, ou ele substitui este candidato hoje ou amanhã vai perder a credibilidade nacional, desconfio muito deste candidato e do PT”.  Profecia “brizolista”, talvez...

Em 2016 Lula se autoproclama “Jararaca” durante discurso após seu conturbado depoimento na Polícia Federal em coletiva de imprensa.

Jararaca tem classificação no gênero Bothrops, da família de serpentes Viperidae.  São peçonhentas, encontradas na América do Sul, causadoras de acidentes com altas taxas de mortalidade dos animais. O veneno deste gênero apresenta formação proteolítica, tipicamente provocando necrose, inchaço, tontura, náusea, vômitos, resultando na hipotensão provocada pela hipovolemia, falência renal e hemorragia intracraniana. O que faz dela uma serpente perigosa e mortal.

De um sapo que poderia virar príncipe a uma mortal serpente, uma metamorfose sem precedentes na evolução das espécies, que deixaria Charles Darwin intrigado, embora Darwin tenha afirmado que, “na luta pela vida, organismos com variações favoráveis às condições do ambiente onde vivem têm maiores chances de sobreviver, quando comparados aos organismos com variações menos favoráveis”.

Nosso ex-presidente Lula tem um ambiente favorável em relação à oposição política, embora acredite que “eles” e “nós” sejamos partes separadas dos ideais nacionalistas.

Parece inspirar que a mídia é golpista, a elite é reacionária e muitos são imperialistas ianques. Mas o ambiente é favorável a ele, pois a oposição não toma posição, acha que tudo está nas mãos da justiça, então assiste enquanto a metamorfose toma seu lugar na evolução das espécies e se adapta num ambiente favorável.

Não se muda um país só com indignação, se a marcha não tiver a força replicada por dias consecutivos e fizer tremer as bases de quem nos governa, como fez Josué com as muralhas de Jericó: “a terra estremeceu com o estrondo da sua queda e do seu grito, até ao Mar Vermelho se ouviu o som.” (Jeremias 49:21)

- Até onde estamos sendo ouvidos ou nos fazendo ouvir?

O mais cruel dos homens deve ter tido um dia de bondade, o mais incompetente governo deve ter feito algumas coisas boas por algum tempo, e como a verdade é filha do tempo, a bondade e as coisas boas podem ter sido um jogo de cena.

No capítulo XVII de O Príncipe, de Maquiavel, é desejável fazer-se amado e temido. Sendo difícil combinar as duas coisas, é necessário optar por uma ou outra, sendo que é mais seguro ser temido do que amado, isso porque os homens têm menos receio de ofender a quem se faz amar do que a outro que se faça temer.

O “sapo” evoluiu para “jararaca” e perdeu a chance de ser um príncipe amado para ser uma “jararaca” temida.

Não acredito que ele tenha lido Maquiavel para traçar sua estratégia. Segundo informações da mídia, ele se preocupou em levar muito mais os vinhos do Palácio da Alvorada do que os livros – embora tenha assinado o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa em 1990.

Com três dezenas de títulos Honoris Causa, ganhou notoriedade e foi chamado de “O Cara” por Barack Obama em reunião do G20. E o presidente americano ainda engatou: “ele é o político mais popular da Terra”.

Quanta conquista para torná-lo uma esperança para o Brasil... e todas lançadas ao fogo da vaidade e da síndrome do poder! Era uma história sem fim, hoje é uma história a que o Brasil quer dar fim.

Trocou seu respeito conquistado mundo afora por uma conduta reptiliana e se intitulou “Jararaca”. Acabou exteriorizando sua realidade interior: quanto maior a luz, maior a sombra.

Serás punido com a “pena hereditária”, citada por Paulo na Carta aos Romanos 5. A conduta da serpente já fora condenada por Deus no Jardim do Éden: “Porque fizeste isso, serás maldita entre todos, andarás de rastos sobre o teu ventre e comerás o pó todos os dias de tua vida” (Gênesis 3,14). Que o seu perdão venha do céu, pois do povo brasileiro não virá.

O Brasil confiou duas vezes em seu estilo político, mas não podia imaginar que ele poderia trocar de pele periodicamente como fazem as cobras através do processo conhecido por ecdise, em que o réptil expande seu poder de existir e dominar.

O “Sapo Barbudo” chegou a ser amado pelo país, mas a “Jararaca” será logo esquecida e seu nome varrido como poeira na Bandeira que por algum tempo deixou fosco nosso auriverde e pálida cada uma das vinte e sete estrelas que agora urgem para retomar seu brilho contra a escuridão de ética e moral que recaiu sobre o Brasil. Sou Cesar Romão, apenas um brasileiro.

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