A síndrome da ansiedade

 
Num universo globalizado onde informações, marcas, fatos, produtos, desejos, músicas, anseios, tecnologia, alimentos, cultura e mais uns “lari-larás”, um efeito “sindromático” tem sido gerado para infectar as pessoas: A Síndrome da Ansiedade.
 
Filas e mais filas são formadas e cultuadas quando algo novo chega ao Brasil, desde uma franquia de café até um jogo de game, tudo em nome de fazer parte de um eloquente grupo de pessoas que preza por serem os primeiros a provar de certas mazelas do consumismo. 

A busca de consumo por itens em primeira instância tem sido algo fervoroso ao longo desta globalização frenética (e ponha frenética nesta história).


Pessoas hoje durante suas horas de folga no trabalho, como na hora de almoço, por exemplo, discutem e competem pelo celular mais sofisticado expondo suas novas aquisições; famílias sentadas aos domingos nos restaurantes não conversam mais: os filhos brincam na mesa com tecnologias de game; a mãe fica tirando foto e falando ao celular; o pai lendo uma revista. A pauta do momento é: quem vai consumir primeiro o novo lançamento do mercado? 

Este comportamento gerou o que classifico como A Síndrome da Ansiedade. 


Uma aflição existencial de consumo e aquisição gerada por uma necessidade de estar num posicionamento privilegiado dentro de seu meio social, de alguma maneira, através de algo que não seja sua personalidade ou atuação humana, fatores que dão pouco e demorado posicionamento no universo em que convivem. 


Este posicionamento atualmente precisa ser imediato e, para isto, a exibição e a possibilidade de consumo é o meio mais eficaz, porém não é mais algo esporádico, tornou-se um vício que resultou nessa Síndrome. 


As pessoas estão tendo sua essência e personalidades alteradas e moldadas de acordo com seu potencial de consumo e privilégio de consumo. 


Chegam a passar horas e horas numa fila para assistirem a pré-estreia de um filme, que no dia seguinte estará num cinema pertinho de sua casa, de maneira confortável. Porém esta espera de um dia é algo massacrante, algo que causa desespero; algo que causa uma sensação de estar para trás; algo que tem causado muita infelicidade. 


Nossas crianças estão cada dia mais sendo vítimas deste fator, estão cada dia mais impacientes diante do fato de não conseguirem, de imediato, os novos lançamentos do mercado de brinquedos e os pais, em pânico, quando um destes produtos esgota. 


O mercado da pirataria tem dois fatores que considero primordial para sua evolução: o primeiro é que: enquanto muitos produtos tiverem seus preços astronômicos, vão continuar sendo pirateados; o segundo é o desejo de consumo por produtos inatingíveis a determinadas classes, que podem ser obtidos através da compra de algo pirateado e que causam na pessoa a sensação ilusória de estar agora em posição de privilégio dentro de seu meio social, por acreditar que as pessoas que a rodeiam, vendo-a com um objeto caro, vão lhe dar mais atenção. 


Justamente nesta busca de atenção, reconhecimento e inclusão num meio social, ao qual normalmente estas pessoas não pertencem, nascem assim mais alguns aliados para aumentar A Síndrome da Ansiedade. 


“Não posso ter um relógio de marca original. Então, enquanto não conseguir um pirateado não sossego!”. Este tem sido um comportamento muito comum. 


A Síndrome da Ansiedade molda personalidades, que deveriam ser criadas por experiências de vida; molda comportamentos que deveriam ser criados por conhecimentos existenciais; molda seres humanos distantes uns dos outros, que deveriam se aproximar por sentimentos e acaba distanciando-os por fatores mercadológicos e sociais. 


A Síndrome da Ansiedade, com certeza, causa certas disfunções em muitos comportamentos. Combater este novo inimigo que estabelece suas estruturas entre o Ser e Ter para viver, talvez seja um desafio de profunda reflexão e, mais do que isto: um desafio que nos permita continuar sendo edificados pelas razões que nos fazem especiais e únicos onde nos diferenciamos pela nossa possibilidade de escolha e nossa capacidade de sentir e emanar emoções. 


Somos maiores como pessoas que qualquer campanha publicitária, que qualquer produto tecnológico e que qualquer rótulo que a sociedade possa nos ofertar. 


Não se deixe levar por essa Síndrome! 


 

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